Cartão de Crédito X Cheque Especial

Começou a cair a taxa de juros mais cara do mercado da linha de crédito conhecida, a do rotativo do cartão, e, agora, está menor do que a do, o cheque especial. Em novembro, a última base de dados disponível no site do Banco Central, os juros do cartão chegaram a 215% ao ano ou 10% ao mês. No mesmo período, a taxa dos juros do cheque especial alcançou 333,68% ao ano, 13% ao mês.

O principal motivo para esse movimento é resultado das recentes regras do sistema rotativo de cartões que entrou em vigor em abril, fixando o limite máximo de sua utilização em 30 dias. Caso o valor total não seja pago nesse prazo, há uma migração automática para um parcelamento, com média de taxa de juros de 144,89% ao ano entre os cinco principais bancos do varejo – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

“As pessoas não querem cair no parcelamento, então evitam o rotativo. Com uma menor procura, as taxas caem, mas o cliente busca outra fonte de crédito”.

Entretanto, não acredita que as taxas chegarão a níveis tão baixos para serem consideradas saudáveis.

Taxas altas de inadimplência também justificam o alto custo dessa modalidade de crédito, aponta Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “Seguimos em período de ajuste e o endividamento das famílias é alto. Enquanto as instituições não sentirem que esse risco baixou, também não vão reduzir suas taxas.”

Entre os principais bancos, a taxa média do rotativo total para pessoa física é de 326, 64% ao ano. A exceção é o Bradesco, que chega aos 696,16%.