Redução da Inadimplência nos Estabelecimentos de Ensino

(Artigo)

Por Eduardo Desiderati Alves (Diretor de operações DDM )

Os índices de inadimplência nos estabelecimentos de ensino têm chegado a percentuais insuportáveis para algumas unidades, trazendo reflexos negativos tanto na parte administrativa, como no desenvolvimento dos projetos pedagógicos.

Não há uma pesquisa que mostre os números exatos, seja no âmbito do Brasil ou dos estados.

O que já ficou constatado é que o grau de atraso varia conforme o sistema de gestão adotado pelas equipes internas dos colégios. Não se afastam também aspectos regionais que influenciam o poder econômico-financeiro dos usuários pelos serviços educacionais.

A legislação tem sido apontada como a maior vilã, entretanto, se houver a modificação da norma legal, a influência não será significativa na maioria das casas de ensino.

O problema é muito mais gerencial do que legal.

No presente guia prático, busca-se dar subsídios para que as escolas particulares de qualquer nível ou modalidade possam conseguir melhor desempenho de resultados. Aliás, administrar os ativos é muito mais importante do que os passivos em si.

Existem também análises das disposições legais que afetam o relacionamento aluno-escola, bem como outros pontos que podem ser úteis para os diretores e seus principais colaboradores nas escolas.

Fatores externos que influenciam as escolas

As instituições de educação, que, durante muitos anos, foram vistas como entidades sociais e substitutas da ação do Poder Público na tarefa de ensinar, defrontam-se com um novo cenário bastante complexo e que exige estruturações fortes pelas entidades mantenedoras como única forma de sobrevivência dentro de um quadro de estabilidade econômica.

O plano de estabilização fez com que a redução da inflação evidenciasse em muitas empresas outros graves problemas que se obscureciam com a espiral inflacionária e com a maior capacidade de pronta recuperação quando os índices eram registrados com dois dígitos.

Existia maior facilidade em reverter quadros negativos com repasse de valores às mensalidades escolares.

Hoje os repasses são proibidos, e quem planejar erroneamente sente no médio prazo as naturais consequências, podendo vir até mesmo a ocorrer a insolvência.

As instituições de menor porte têm mais sensibilidade financeira, uma vez que o poder de negociação é muito menor, quer com bancos, estabelecimentos comerciais ou com os próprios alunos e/ou seus responsáveis.

O segmento educacional como um todo não possui o hábito de articulação e falta um Código de Ética entre as escolas, impedindo a prática de alguns atos que podem levar problemas aos parceiros, entendidos em muitas ocasiões como meros concorrentes.

As escolas, como unidades de ensino, costumam   ter   estruturas organizadas, entretanto as mantenedoras pecam pela falta de dados atualizados e consistentes, impedindo tomadas de decisões rápidas.

Ao lado desses fatores internos, existem outros de fundamental importância que afetam de fora para dentro as organizações educativas e hoje se concentram nos seguintes pontos:

a) Falta de uma Política Educacional para o setor público

A carência de prioridade para a educação faz com que o ensino público seja deficiente, provocando uma demanda acentuada às escolas particulares de alunos que não teriam condições de estudar pagando. O reflexo é que querem estudar gratuitamente (ou quase) nos colégios privados.

b) Má imagem da escola particular

Falta um trabalho de recuperação (e posteriormente de manutenção) da imagem positiva da escola particular; somente os problemas são evidenciados na grande imprensa, enquanto as vitórias são obscurecidas.

c) Carência de representantes públicos

A escola  particular  não  elege  praticamente  ninguém, e  os  membros  do Poder Legislativo não se sentem na obrigação de propor leis que sejam favoráveis ao setor privado. Os que são simpáticos interiormente à causa educacional da rede não assumem tal posição e, quando a defendem, são acusados de obtenção de benefícios financeiros.

d) Redução do poder aquisitivo da massa populacional

O plano econômico brasileiro impôs sacrifícios à população, e os salários passaram (ou melhor, voltaram) a ter reajustes pequenos a cada ano.

e) Concorrência

Aumentou sensivelmente o número de escolas particulares, sendo muitas clandestinas, que oferecem preços baixíssimos e prejudicam o mercado.

f) Inflação legislativa

Há um grande número de normas trazendo reflexos às escolas, especialmente no campo de preços.

Durante o período de 1914 (quando se teve a primeira norma buscando interferir nos preços) até 1986, tivemos apenas 10 diplomas legais; nos últimos anos, já recebemos mais de 80 atos – Decretos-Lei, Leis, Medidas Provisórias, Decretos, etc. – versando sobre o assunto.